Retrato do Mercado Veterinário Brasileiro e Projeções até 2030

Retrato do Mercado Veterinário Brasileiro e Projeções até 2030

Setembro é o Mês do Médico-Veterinário, e 2026 oferece bons motivos para olhar a profissão com atenção. A medicina veterinária ficou mais madura e mais exigente. A fase de crescimento acelerado do pós-pandemia acabou, e agora o setor cresce de forma mais estável, com mais concorrência e mais especialização.

Os dados mais recentes mostram essa mudança. Segundo o estudo Faturamento e População Pet no Mundo – 2026, da Abempet, o Brasil tem 166,8 milhões de animais de estimação. É a terceira maior população pet do mundo. Ao mesmo tempo, o número de veterinários inscritos passou de 300 mil, segundo o CFMV.

Com esses números em mãos, surgem algumas perguntas: quais áreas vão concentrar a demanda nos próximos anos? Que especialidades devem ganhar espaço e relevância profissional? E como uma empresa com três décadas de mercado se encaixa nesse cenário?

Neste artigo, reunimos as estatísticas mais recentes e fazemos um exercício de projeção até 2030. Também mostramos como a ORTOVET vem acompanhando essa evolução e contribuindo para ela.

O mercado pet em 2026: crescimento mais lento, mas constante

O setor pet brasileiro fechou 2025 com faturamento de R$ 77,96 bilhões, alta de 3,56% sobre 2024. Para 2026, a projeção é de R$ 81,24 bilhões, crescimento de 4,21%, segundo a Abempet. A CNN Brasil repercutiu o estudo neste mês.

Para o veterinário, o dado mais relevante é o do segmento Pet Vet, que deve faturar R$ 8,6 bilhões em 2026 (+5,11%). É um ritmo acima da média do setor. As clínicas e hospitais veterinários devem movimentar cerca de R$ 14 bilhões, o que representa aproximadamente 17,3% do faturamento do mercado pet, segundo a classificação apresentada pela Abempet.

Isso indica que os serviços e cuidados veterinários permanecem como uma parcela relevante do mercado pet e apresentam crescimento projetado acima da média geral do setor. Na prática, os gastos com saúde animal permanecem relevantes mesmo em um cenário de maior pressão sobre o consumo, reforçando a importância dos serviços veterinários.

A carga tributária ainda limita o setor. A Abempet estima que os impostos sobre pet food no Brasil chegam a cerca de 50%, contra uma média mundial próxima de 18%. Mesmo assim, o mercado segue crescendo, indicando a manutenção de uma demanda relevante, apesar das restrições tributárias e econômicas.

medicina-veterinária-projeção-para-2023

Saúde animal: R$ 12,8 bilhões e uma nova composição

A indústria de produtos para saúde animal fechou 2025 com R$ 12,8 bilhões, alta de 7,9%, segundo o Sindan. Nos últimos dez anos, o setor cresceu em média perto de 10% ao ano, como destacou a Globo Rural.

A participação de cães e gatos caiu de 27% para 25% do total. Segundo O Presente Pet, isso não significa retração. O segmento se manteve em cerca de R$ 3,2 bilhões, enquanto bovinos e aves cresceram mais rápido.

Os ruminantes seguem como principal motor da indústria, com 47% do faturamento. Esse dado é um lembrete de que a veterinária brasileira vai além da clínica de pequenos animais. Produção animal, equinocultura e sanidade continuam sendo áreas estratégicas.

Para o profissional, esse cenário mostra que há espaço nas duas frentes. A clínica pet se especializa, enquanto o agro e os grandes animais mantêm forte demanda técnica.

A profissão em números: mais profissionais e mais concorrência

O relatório estatístico do CFMV, gerado em setembro de 2026, registra 304.736 médicos-veterinários inscritos, dos quais 232.214 estão atuantes. São Paulo concentra 65.425 profissionais atuantes, cerca de 28% do país. Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro vêm em seguida.

O ritmo de formação é alto. Segundo levantamento da Revista CFMV, com dados de janeiro de 2025, o Brasil tinha 580 cursos presenciais e 87.417 vagas anuais. O próprio Conselho alerta que a expansão não veio acompanhada, na mesma medida, de qualidade na formação prática.

O salário médio CLT é de R$ 4.644,20, segundo levantamento baseado no Caged publicado pelo Panorama PetVet. Com o crescimento do número de profissionais em um mercado cada vez mais competitivo, a formação continuada e a especialização em áreas de maior complexidade se tornam elementos indispensáveis de diferenciação profissional.

Especializações em alta: onde está a demanda

Diante do aumento de profissionais no mercado, a especialização passou a ser um importante diferencial. Cardiologia, oncologia, dermatologia, anestesiologia e comportamento animal estão entre as áreas mais procuradas, segundo a PUC Minas. Telemedicina e terapias regenerativas também ganham espaço.

O envelhecimento da população pet explica parte desse movimento. Animais que vivem mais apresentam mais doenças crônicas, tumores, problemas cardíacos e desgaste articular. Esses casos exigem diagnóstico preciso e tratamento especializado, ampliando a demanda por profissionais e serviços capacitados para atendimentos de maior complexidade.

Os gatos também merecem atenção. Eles já somam 33,3 milhões no país, segundo a Abempet, e sua população cresce em ritmo acelerado. A medicina felina, com seus protocolos específicos, vem se consolidando como um nicho importante dentro da medicina de pequenos animais.

Outra área com espaço é a de silvestres e pets não convencionais. O país tem 44,3 milhões de aves e 3,1 milhões de pequenos répteis e mamíferos, mas ainda faltam profissionais capacitados, como aponta estudo publicado na Revista Ibero-Americana.

Ortopedia veterinária: uma área em expansão

Entre as especialidades cirúrgicas, a ortopedia apresenta perspectivas de crescimento. O mercado brasileiro de ortopedia veterinária foi avaliado em US$ 16,48 milhões em 2025, com projeção de US$ 25,96 milhões em 2030, segundo a MarketsandMarkets.

Na América Latina, o mercado de implantes ortopédicos veterinários deve passar de US$ 46,6 milhões (2024) para US$ 105,1 milhões (2034), segundo a GII Research. Os destaques incluem placas bloqueadas, hastes intramedulares e técnicas minimamente invasivas.

A demanda clínica sustenta esses números. Obesidade, sedentarismo e envelhecimento aumentam os casos de ruptura do ligamento cruzado, displasia coxofemoral e osteoartrite, como já mostramos no artigo Por que investir na Ortopedia Veterinária?. Somam-se a isso os traumas em áreas urbanas.

A tecnologia também avança. Estudos recentes sobre planejamento cirúrgico com impressão 3D mostram ganhos em precisão e na prevenção de complicações. O profissional que atua na ortopedia veterinária tende a combinar cada vez mais habilidade técnica, recursos de diagnóstico e planejamento cirúrgico, além do acesso a implantes e instrumentais adequados.

Exercício de projeção: o mercado veterinário em 2030

Para visualizar o futuro, fizemos uma projeção simples. Aplicamos as taxas de crescimento recentes, ou as divulgadas por consultorias, aos números atuais. São estimativas ilustrativas, não previsões oficiais.

Indicador Dado atual Projeção 2030*
Faturamento do setor pet R$ 81,24 bi (2026) ~R$ 95 bi (a 4% ao ano)
Segmento Pet Vet R$ 8,6 bi (2026) ~R$ 10,5 bi (a 5% ao ano)
Saúde animal (indústria) R$ 12,8 bi (2025) ~R$ 18 bi (a 7% ao ano)
Ortopedia veterinária no Brasil US$ 16,5 mi (2025) US$ 25,96 mi (MarketsandMarkets)
Veterinários inscritos 304,7 mil (2026) Não projetado

 

*Cálculo da ORTOVET por juros compostos sobre as taxas indicadas, exceto ortopedia veterinária (fonte: MarketsandMarkets). Os valores de 2030 são cenários matemáticos, não projeções oficiais das entidades citadas.

A tabela reúne diferentes cenários de crescimento para segmentos específicos do mercado. No caso da ortopedia veterinária, a projeção disponível indica crescimento superior ao utilizado como referência para o mercado pet como um todo. O número de profissionais também não foi projetado para 2030, já que a quantidade de vagas anuais não representa, isoladamente, a evolução dos registros profissionais.

Outro dado chama atenção: no 1º trimestre de 2026, as importações do setor pet caíram 36%, segundo a Abempet. O dado pode refletir mudanças na composição da oferta e merece acompanhamento ao longo do ano.

ORTOVET: 30 anos acompanhando a veterinária brasileira

A ORTOVET começou em São Paulo em 1996. Sua atuação teve início com foco em soluções para a ortopedia veterinária, oferecendo ao veterinário brasileiro instrumentos e implantes de qualidade, com atendimento próximo e técnico.

Em 2026, a ORTOVET completa 30 anos. Esse período coincide com a transformação da profissão descrita neste artigo. Quando a empresa foi fundada, o mercado veterinário brasileiro apresentava uma estrutura bastante diferente da atual, e a especialização estava menos disseminada. Este ano, o mercado pet deve superar R$ 80 bilhões, e as projeções disponíveis indicam crescimento em diferentes segmentos da medicina veterinária.

Ao longo dessas três décadas, nosso portfólio cresceu junto com as necessidades da profissão. Começou pela ortopedia e se ampliou para instrumentais cirúrgicos, pequenos animais, silvestres e odontologia equina, entre outras áreas da medicina veterinária.

Mais do que desenvolver e fornecer instrumentos, a ORTOVET também assumiu um compromisso com a educação e a difusão do conhecimento técnico. A empresa mantém materiais educativos voltados à instrumentação cirúrgica e à odontologia equina, incluindo o e-book e o manual disponíveis em seus canais oficiais:

Esses materiais educativos abordam temas relacionados à anatomia funcional, manejo, utilização dos equipamentos, manutenção e boas práticas aplicáveis à rotina profissional.

O futuro exige especialização e atualização

Os números de 2026 mostram um mercado sólido, embora mais competitivo. O setor pet deve chegar a R$ 81 bilhões em 2026, a indústria de saúde animal fechou 2025 com R$ 12,8 bilhões, e o país já tem mais de 300 mil veterinários inscritos. O crescimento continua, mas ocorre em um ambiente de maior concorrência e diversificação.

A projeção até 2030 aponta para a continuidade da expansão em diferentes segmentos, enquanto a especialização, a formação continuada e o domínio de tecnologias e recursos diagnósticos ganham importância na diferenciação profissional. E a ortopedia aparece entre as áreas para as quais existem projeções específicas de crescimento.

Mais do que antecipar um único caminho para a profissão, os dados mostram um cenário em transformação. Para o médico-veterinário, acompanhar essas mudanças, investir em atualização e estruturar sua prática de acordo com as necessidades dos pacientes e do mercado tende a ser cada vez mais importante.

Neste Mês do Médico-Veterinário, a ORTOVET homenageia os profissionais que cuidam da saúde animal, da saúde pública e da produção de alimentos no Brasil. Seguimos oferecendo as ferramentas e o apoio técnico para que cada colega esteja preparado para os próximos anos.